

No próximo dia 27 de setembro, o Brasil celebra o Dia Nacional da Doação de Órgãos, sendo a data um momento de reflexão sobre um ato de amor e solidariedade que pode literalmente salvar vidas.
De um único doador podem ser obtidos córneas, coração, fígado, pulmão, rim, pâncreas, ossos, vasos sanguíneos, pele, tendões e cartilagem. Esse ato de generosidade pode salvar mais de 20 pessoas, transformando não apenas a vida dos receptores, mas a de famílias inteiras.
A doação de órgãos representa muito mais do que um procedimento médico: é a materialização da solidariedade humana em sua forma mais pura. Contudo, apesar dos avanços, a realidade brasileira ainda apresenta desafios.
De acordo com dados mais recentes do Ministério da Saúde, a cada 14 pessoas que manifestam interesse em doar órgãos no Brasil, apenas quatro efetivam sua doação.
Para saber mais sobre o assunto e entender a importância da doação de órgãos no Brasil, confira esse conteúdo completo e atualizado desenvolvido pelo Círculo Saúde!
Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), apenas um entre oito potenciais doadores é efetivamente notificado. Enquanto países como a Espanha registram cerca de 40 doadores por milhão de habitantes, o Brasil ainda não atingiu a marca de 20 doadores por milhão.
No primeiro semestre de 2024, foram realizados 14.352 transplantes via Sistema Único de Saúde (SUS), superando os 13,9 mil procedimentos do mesmo período em 2023. Os órgãos mais doados foram rins, fígado, coração, pâncreas e pulmão, além de córnea e medula óssea.
Ainda assim, mais de 43 mil brasileiros compõem a lista de espera por um transplante.
Esses números revelam um cenário de contrastes: enquanto aumentamos o número de transplantes realizados, a demanda ainda supera significativamente a oferta de órgãos disponíveis.
É importante dizer que todas as religiões enxergam a doação como um ato de caridade e amor ao próximo, e que não existe mercado ilegal de órgãos no Brasil. Os transplantes são realizados através de cirurgias tradicionais e, ao final do procedimento, o corpo é reconstituído, podendo ser velado normalmente.
O principal obstáculo para o aumento das doações no Brasil é a recusa familiar. Atualmente, aproximadamente metade das famílias entrevistadas não concorda com a retirada de órgãos e tecidos do ente falecido para doação.
Segundo o Ministério da Saúde, os principais motivos citados para não autorizar a doação incluem:
No Brasil, mesmo que uma pessoa manifeste em vida o desejo de ser doadora, a legislação determina que a decisão final sempre cabe à família. Essa doação consentida é a modalidade que melhor se adapta à realidade brasileira, concedendo maior segurança jurídica a todos os envolvidos.
Por isso, é fundamental que o assunto seja abordado abertamente no ambiente familiar. A melhor maneira de garantir que a vontade do doador seja respeitada é fazendo com que a família conheça esse desejo.
A doação de órgãos no Brasil pode ocorrer de duas formas: em vida ou após a constatação de morte encefálica.
O doador vivo deve ter mais de 21 anos e excelentes condições de saúde. É possível doar rins, medula óssea e partes do fígado ou do pulmão, desde que o transplante não comprometa as aptidões vitais do paciente.
A doação entre cônjuges ou parentes de até quarto grau requer apenas compatibilidade sanguínea, enquanto para não familiares é necessária autorização judicial.
Ocorre após a confirmação de morte encefálica, que é a interrupção irreversível das funções cerebrais. Nessa situação, é possível doar coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córneas, vasos, pele, ossos e tendões.
Sabemos que a morte de um ente querido é sempre uma situação difícil, e não deve ser tratada de forma insensível. Porém, é justamente nesse momento de perda que o sofrimento pode ser transformado em esperança para pessoas que aguardam na lista de espera.
Além do setembro amarelo, o mês de setembro é também conhecido como o “setembro verde”, uma campanha nacional que visa conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos.
Durante todo o mês, diversas instituições de saúde, organizações não governamentais e órgãos públicos promovem ações educativas para esclarecer dúvidas e estimular o diálogo sobre o tema.
O objetivo da campanha é desmistificar conceitos errôneos sobre a doação e destacar como esse ato pode transformar vidas. Muitas vezes, o que impede uma família de autorizar a doação não é a falta de vontade de ajudar, mas sim o desconhecimento sobre o processo.
Imagine acordar amanhã sabendo que sua decisão de hoje pode salvar a vida de mais de 20 pessoas. Que a sua conversa em família pode fazer toda a diferença na trajetória de alguém que você nem conhece.
O Brasil hoje possui tudo para se tornar uma potência mundial em transplantes: profissionais excepcionais, tecnologia avançada e um sistema de saúde estruturado. Mas, existe uma peça fundamental nesse quebra-cabeça que só você pode colocar: sua voz, sua decisão e a sua coragem de falar sobre o assunto.
Cada família que conhece a vontade de seu ente querido pode transformar a dor da despedida no milagre de vidas que renascem.
A conversa com os familiares é o primeiro passo para se tornar um doador. Quando sua família conhece seu desejo, a decisão se torna mais leve.
A doação consentida proporciona maior segurança jurídica tanto para o doador quanto para o receptor e para os serviços de transplantes.
Por isso, mais importante do que assinar documentos é garantir que sua família conheça sua decisão de ajudar a salvar vidas.
Os órgãos são destinados a pacientes que estão na lista única de espera, que é informatizada e unificada. A posição nessa lista é baseada em critérios técnicos como tempo de espera, urgência e compatibilidade sanguínea.
É um cadastro nacional com todos os potenciais receptores inscritos para transplantes no Brasil, que monitora a ordem de prioridade com base em critérios técnicos e impede duplicações nas listas.
A compatibilidade genética e sanguínea é confirmada por exames laboratoriais. Em alguns casos, também é considerada a compatibilidade antropométrica (medidas como peso e altura).
As Organizações de Procura de Órgãos (OPO), em parceria com comissões hospitalares, identificam possíveis doadores em hospitais de regiões específicas.
É a parada definitiva e irreversível das funções cerebrais, incluindo cérebro e tronco encefálico, que resulta na falência total do organismo. Apesar de aparelhos manterem funções básicas temporariamente, o paciente é considerado legalmente em óbito.
O diagnóstico é regulamentado e exige avaliação clínica por dois médicos com intervalo mínimo de uma hora, além de exames complementares obrigatórios, como angiografia cerebral, cintilografia, doppler transcraniano ou eletroencefalograma.
Neste 27 de setembro, Dia Nacional da Doação de Órgãos, o Círculo Saúde convida você a refletir sobre o poder transformador deste gesto. Afinal, por trás de cada número e de cada estatística existe a história de uma vida e de uma família que aguarda com esperança.
Converse com sua família, informe-se sobre o tema e torne-se um doador. Em algum lugar do Brasil, neste exato momento, alguém aguarda por um milagre que pode começar com uma simples conversa em família.
Para cuidar sempre de você e da sua família, conheça os planos do Círculo Saúde. Atuando desde 1934, o Círculo é uma das maiores e mais importantes organizações do ramo no Rio Grande do Sul, com aproximadamente 145 mil vidas sob sua proteção. São mais de 80 cidades de abrangência na Serra Gaúcha, Vale do Paranhana, Vale do Caí e Litoral.