

Uma das memórias mais frequentes da infância está associada à frustração por não ganhar um brinquedo, uma roupa ou um lanche por falta de condições financeiras. Quem nunca passou por isso? Se na criança isso gera um incômodo, na vida adulta, os pais que precisaram negar o presente para o filho sentem uma angústia ainda maior, e isso implica em emoções e comportamentos que podem ser prejudiciais para o convívio familiar. A situação se agrava em famílias que sequer conseguem garantir o básico, como alimentação de qualidade, acesso à educação e saúde, por exemplo. Por isso, se fala cada vez mais sobre como a saúde financeira está ligada ao bem-estar físico, mental, emocional e social de uma pessoa. Para ajudar você a organizar suas finanças, sem esquecer da qualidade de vida, preparamos esse artigo que mostra como encontrar o equilíbrio perfeito entre seu salário e sua saúde mental.
Para tornar o conteúdo sobre saúde financeira e qualidade de vida ainda mais completo, entrevistamos Michelle Flores Accorsi, Gerente Regional da Unicred Integração, uma das instituições financeiras mais respeitadas no país. Para a especialista, “estabilidade financeira, não significa ter muito dinheiro, ou ficar rico, mas, usufruir do trabalho e das conquistas, independente do tamanho que elas tenham. Essa é a ideia de estabilidade”, comenta Accorsi. Também faz parte do equilíbrio financeiro estar preparado para adversidades, despesas inesperadas ou uma urgência, por exemplo. “Tem muita gente que já alcançou a saúde financeira mas não sabe, porque acredita que ela só é possível quando se tem muito dinheiro”, enfatiza.
Quando uma pessoa tem boa saúde financeira, ela é capaz de suprir suas necessidades básicas, pagar suas contas em dia, evitar o endividamento excessivo e economizar para o futuro. Essa estabilidade traz um sentimento de segurança e tranquilidade, permitindo que a pessoa possa se concentrar em outras áreas de sua vida, como família, lazer, trabalho e desenvolvimento pessoal, por exemplo, que são as atividades que garantem a manutenção da tão buscada felicidade.
Não à toa, a ansiedade é um dos primeiros sintomas que surgem em quem não consegue encontrar o balanço necessário entre a renda e os gastos. Estudos apontam que os problemas financeiros também estão na raiz da depressão e do burnout (esgotamento emocional). Por isso, é tão importante se manter informado sobre educação financeira.
“As principais coisas que a gente escuta, independente momento de vida e padrão de vida, é que a educação financeira é para quem tem dinheiro, ou seja, para quem ganha pouco não serve, não tem como planejar. Esse é o principal mito que escuto como profissional da área”, descreve Accorsi. Segundo a especialista, não é quando a pessoa ganha que determina sua saúde financeira, mas a forma como conduz esse valor e quanto poupa. “Não raro quem ganha muito, por vezes tem dificuldades, e quem ganha pouco é super organizado com seus rendimentos”, esclarece.
Educação financeira também tem a ver com segurança. Toda semana surgem novos casos de golpes financeiros. Com promessas de ganhos fáceis e rápidos, os golpistas acabam tomando quantias consideráveis que, muitas vezes, são as economias de toda uma vida de trabalho. “Ter educação financeira evita que a pessoa caia nesse tipo de situação. Quando a pessoa tem informação ela tem capacidade de analisar opções de investimento, quais fontes e órgãos estão ligados às transações e consegue avaliar as melhores oportunidades e os riscos. Para isso, não precisa se tornar especialista”, comenta Michelle Accorsi, Gerente regional da Unicred Integração.
Você leu há pouco sobre o impacto do endividamento sobre a saúde mental. No entanto, a saúde física também pode ser afetada pelas consequências da falta de dinheiro. Ao passar por problemas financeiros, é comum que as pessoas se sintam sozinhas, desesperançosas e constantemente estressadas.
A preocupação com os boletos tira o sono, faz redobrar jornadas de trabalho em busca de renda extra, promove agitação e ansiedade. Esses fatores juntos, de forma persistente, podem desencadear problemas cardiovasculares. O primeiro sintoma é a hipertensão (pressão alta) que, quando não tratada, pode levar até a morte.
Outras pessoas buscam nos excessos e vícios a fuga dos problemas financeiros. Assim, abuso de álcool, drogas, alimentação emocional (como recompensa e escape), vício em jogos (tentando a sorte para pagar as dívidas) também impactam na saúde física quando se enfrenta um problema de dinheiro. As consequências podem ser doenças hepáticas, digestivas, diabetes e até câncer.
O nervosismo constante que as dívidas impõe também pode gerar dores de estômago constantes e podem até evoluir para gastrites e úlceras nervosas. Dores de cabeças constantes e enxaqueca também são alguns dos sintomas de que algo não vai bem na vida financeira, em função da preocupação constante.
A saúde financeira também está relacionada à qualidade de vida em nível mais amplo, já que as pessoas com boa saúde financeira tendem a ser mais produtivas e a contribuir mais para a economia e a sociedade em geral. Isso pode levar a melhores oportunidades de emprego, uma economia mais forte e uma sociedade mais saudável e próspera.
Confira dicas para não ficar no vermelho e evitar o estresse:
À essa altura do artigo já deu pra perceber que não existe receita de bolo para equilibrar as contas. Mas, é possível começar hoje mesmo a se informar sobre o assunto, entendendo seus custos e seus gastos e realizar uma coisa por vez, sem comprar por impulso. Por isso, se você já segue essas dicas e ainda sofre com compras desnecessárias quando está ansioso ou deprimido, deve procurar ajuda de uma profissional de saúde mental para garantir que suas emoções não impliquem na sua qualidade de vida e de quem está ao seu redor.
E não esqueça, nunca é tarde para começar a organizar as finanças. Mesmo que os pais não tenham recebido oportunidades de aprender antes sobre saúde financeira, é importante que, ao planejar ou ter filhos, insiram o assunto para as crianças. Segundo Michele Accorsi, gerente da Unicred, a educação financeira deve vir de berço. “É importante explicar para os pequenos que educação financeira não é só sobre mim, é sobre sobre pais, familiares, pessoas que me mantém enquanto não tenho renda. A partir do momento que eu começo gerar renda, remunerada por alguma atividade, preciso buscar informação mais aprofundada para garantir o futuro”, comenta a especialista.
Como vimos, esqueça o papo de ficar rico. O que interessa mesmo é realizar conquistas importantes para você, como uma faculdade, uma casa, uma viagem, sem ter que fazer sacrifícios muito grandes e que comprometam a estabilidade a longo prazo.