

Já imaginou sentir dores incapacitantes, que podem irradiar para outras partes do corpo dificultando o diagnóstico? Não estamos falando de cálculo renal, mas sim, de doenças ginecológicas, como endometriose, miomas e síndrome dos ovários policísticos (SOP). Cada vez mais frequentes quando se trata de saúde da mulher, essas condições podem ser prevenidas com hábitos alimentares mais saudáveis. Saiba tudo sobre prevenção dessas doenças e amenizar seus efeitos a partir da alimentação.
Você já deve ter ouvido por aí que alimentação é saúde. No caso das mulheres, essa máxima ganha ainda mais importância diante de doenças ginecológicas que podem ser agravadas diante de maus hábitos alimentares. Por isso, fala-se tanto em saúde preventiva. Ou seja, o ideal é manter sempre uma dieta equilibrada – mesmo que nunca seja tarde para começar, além de visitas regulares ao ginecologista. Conheça os nutrientes indispensáveis para a saúde da mulher e saiba como incluir nas refeições.
As doenças ginecológicas mais comuns, além da endometriose, são os miomas uterinos e a síndrome dos ovários policísticos (SOP). Elas ocorrem por uma série de fatores, desde predisposição genética, ambiente em que a mulher está inserida e hábitos de vida. Essas condições são desencadeadas por uma uma característica que define a saúde da mulher:a sua ciclicidade.
As mudanças hormonais que começam na adolescência (em alguns casos, ainda na infância) e atravessam toda a vida adulta até a menopausa podem levar a transformações importantes na vida da mulher caso não haja o acompanhamento adequado aliado a um estilo de vida saudável.
Mas afinal, o que a nutrição tem a ver com essas doenças? Os hormônios são substâncias químicas responsáveis por diversas funções do organismo, desde a saúde dos ossos, regulação da glicose, colesterol, saúde mental, entre outros aspectos do organismo.
Quando uma mulher desenvolve uma doença ginecológica, esses hormônios passam por desregulações, às vezes propositais para impedir o avanço da doença, como é o caso da endometriose que é ‘alimentada’ pelo estrogênio. Para frear a doença, a mulher precisa bloquear as fontes desse hormônio. No entanto,ele é responsável pela saúde dos ossos e do coração e ainda contribui com o bom funcionamento do cérebro.
Para as mulheres que precisam bloquear a ação do estrogênio, uma série de outros hormônios podem ser impactados e trazer mais prejuízos ao corpo. Em situações assim, a alimentação balanceada é essencial para garantir qualidade de vida e o funcionamento desses sistemas, já que, com os nutrientes corretos, é possível manter bons índices de vitaminas, minerais e funções químicas essenciais para a saúde feminina.
● Endometriose
No caso da endometriose, trata-se de uma doença inflamatória em que o endométrio (tecido interno que reveste o útero) se aloja em outras regiões da cavidade abdominal. Nesse caso, o consumo exagerado de alimentos ultraprocessados, embutidos, carne vermelha e açúcares agrava o quadro e os sintomas da doenças. Pães e frituras devem ser evitados, já que a farinha branca e gordura saturada são estimulantes do quadro inflamatório.
Nesse caso, a mulher pode incluir na alimentação ingredientes antioxidantes e antiinflamatórios, como frutas cítricas que fornecem ao organismo vitamina A e C, oleaginosas, que concentram boas doses de ômega 3, peixes e frutos do mar, além de vegetais e hortaliças. Ou seja, um prato variado de arroz, feijão, proteína e salada – a boa e velha dieta brasileira – é um ótimo aliada das mulheres com endometriose.
● Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)
A SOP é relativamente comum e, assim como a endometriose, ainda não tem a causa bem definida. As alterações hormonais levam à formação de cistos nos ovários que podem ser dolorosos e impactar na regularidade do ciclo menstrual e alterações na pele, como acne. Em outros casos pode levar à infertilidade e até à obesidade graças à confusão hormonal que causa.
Para mulheres portadores de SOP, os farináceos também devem ser evitados. A dica aqui é optar por raízes e tubérculos, além de fontes de gordura natural, como abacate, coco e azeites de boa qualidade para evitar o aumento do colesterol e a obesidade.
● Miomas
Miomas são tumores benignos que têm como um dos fatores de risco associados a obesidade e a puberdade precoce. Os miomas são responsáveis por aumentar o fluxo menstrual e gerar dor pélvica no período.
Para portadoras de miomas, é importante evitar bebidas estimulantes, como álcool e café. A aposta na dieta deve ser nas frutas cítricas e legumes. Açafrão da terra, gengibre e alho são potentes temperos anti inflamatórios que podem, e devem substituir condimentos industrializados, sobretudo cubos de temperos repletos de gordura e sódio, que também são um gatilho para a obesidade.
Você sabe por quê a maioria dos alimentos que encontramos no supermercado trazem o alerta na embalagem “enriquecido com ferro e ácido fólico”? Isso acontece pois “cerca de 30% das mulheres em fase reprodutiva apresentam anemia por deficiência de ferro”, segundo a Anvisa. Já as crianças de até 5 anos são ainda mais vulneráveis: o índice é de 50%”. Além disso, a suplementação de ferro e ácido fólico é feita desde o período pré-gestacional até o final da gravidez, para garantir a saúde da mãe e do bebê.
Nas farinhas de trigo e milho (exceto flocão, floquinho e pré-cozidas) é obrigatório o enriquecimento com esses nutrientes. Outros alimentos ricos em ferro são o peixe, feijão, lentilha e vegetais de cor verde escuro. Cereais integrais, ovos e cogumelos também são ótimas fontes de ácido fólico.
As mudanças hormonais causadas pelos hormônios podem ter impacto inclusive na saúde do coração. Por isso, é importante ter em mente os nutrientes essenciais para a saúde da mulher e sempre que possível, conferir os rótulos dos alimentos para se certificar da qualidade nutricional do que você está ingerindo.