

Você já deve ter ouvido falar sobre o ‘câncer no sangue’. A doença, na verdade, é a leucemia, e trata-se de um conjunto de cânceres que atingem os glóbulos brancos. São eles os responsáveis por capturar invasores do organismo e sinalizar aos sistema imunológico que nossa saúde está em perigo. Por isso, a leucemia é altamente debilitante, já que enfraquece as defesas do corpo e deixa a pessoa vulnerável. Ou seja, a leucemia é uma doença complexa e, por isso, se manifesta em vários tipos, com sintomas variados e exige tratamento personalizado. A melhor notícia é que a leucemia tem cura.
Mas, para entender essa doença complicada, precisamos compreender como ela age no organismo. O câncer é uma disfunção das células que se reproduzem desordenadamente, por isso, formam tumores. No caso da leucemia, o processo é um pouco diferente. A produção descontrolada de glóbulos brancos doentes toma o lugar dos saudáveis na medula óssea (tecido localizado no interior dos ossos e responsável pela produção das células sanguíneas).Quando os glóbulos brancos adoecidos caem na corrente sanguínea, podem levar a pessoa a ter anemia, hemorragias e até infecções graves. Por isso, o tratamento para esse tipo de câncer envolve transfusões de sangue e, em alguns casos, transplante de medula óssea.
A Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) lista, entre os principais sinais da doença, os sete primeiros sintomas de leucemia:
É importante destacar que esses sintomas podem variar de acordo com o tipo de manifestação da leucemia. Segundo a Abrale, “A leucemia pode ser classificada como “aguda” ou”crônica” de acordo com a velocidade de crescimento das células doentes assim como de sua funcionalidade. A leucemia aguda progride rapidamente e produz células que não estão maduras e não conseguem realizar as funções normais. A leucemia crônica, entretanto, normalmente progride lentamente e os pacientes têm um número maior de células maduras.”
Ou seja, em muitos casos, a forma crônica (mais comum em adultos) da doença pode levar anos para manifestar sintomas,e, portanto, ser assintomática, enquanto a aguda (mais frequente em crianças) manifesta complicações de forma mais imediata.
A ciência médica ainda não tem um fator específico que desencadeia a doença. Mas, é possível relacionar a doença com condições ligadas ao seu desenvolvimento, já que é uma doença multifatorial. Ou seja, o que se sabe a partir de observação clínica e pesquisas recentes é que alguns fatores podem contribuir para o surgimento da leucemia, mas não são determinantes isolados. A medicina chama isso de risco aumentado. O que quer dizer que pessoas expostas a um ou mais dos gatilhos, têm maiores chances de adoecer.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), os principais fatores ligados que levam a pessoa a ter leucemia são:
Então porque a leucemia é o câncer mais frequente na infância, já que crianças quase não são expostas a esses fatores de risco? Essa é a pergunta mais frequente quando se trata de doenças desse tipo na infância. Ainda não há uma causa totalmente conhecida. No entanto, segundo o portal do Dr. Dráuzio Varella, “evidências sugerem que a doença pode estar relacionada a mutações genéticas que levariam à produção desordenada de células sanguíneas. Alguns estudos, por exemplo, pesquisam se uma alteração genética que prejudica a forma como determinadas substâncias químicas são absorvidas pode predispor a criança à leucemia caso ela seja exposta a essas substâncias. Outros estudam a relação entre alterações genéticas que ocorrem na infância com infecções que poderiam afetar o sistema imune e desencadear uma leucemia”.
Ou seja, o que se tem de mais concreto é a predisposição genética, que nem sempre tem relação com a hereditariedade (casos na família) mas com mutações que poderiam desordenar a forma como o organismo da criança reage aos fatores de risco.
Tem e, ao contrário do que se pensa, há muito mais chances de cura do que casos de morte pela doença. Para se ter uma ideia “A taxa de cura chega a 90% em casos de leucemia linfocítica aguda; 2 em cada 3 pacientes de leucemia mieloide aguda chega à remissão da doença, assim como a maioria dos que têm leucemia mieloide crônica; e pacientes com leucemia linfocítica crônica muitas vezes nem precisam de tratamento, somente de acompanhamento médico”. Ou seja, a cura e o sucesso do tratamento depende do tipo da doença, e do estágio em que foi descoberta. Por isso, é tão importante manter em dia check ups anuais, já que um exame de hemograma completo, normalmente feito nesses acompanhamentos, é capaz de detectar a leucemia.
Para entender melhor o prognóstico (chance de melhora do paciente), precisamos conhecer as leucemias específicas, como as que você acabou de ler acima. São elas que determinam quais glóbulos estão doentes (mieloide ou linfoide), a gravidade da doença e o tratamento que deve ser adotado para cada caso.
Afeta as células mieloides que interferem na produção de glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas. Evolui rapidamente e debilita o paciente com febre alta e infecções.
Aqui, ocorre uma superprodução de glóbulos brancos. No entanto, progride de forma mais lenta.
Nesse caso, o câncer atinge os linfócitos que geram uma mutação na medula óssea por algum erro de DNA. Mais frequente em crianças.
Um erro genético faz com que os linfócitos B se desenvolvam de forma desordenada. Esse tipo de leucemia, em alguns casos, não precisa de tratamento já que a produção de células saudáveis continua ocorrendo, diferente dos demais casos.
A leucemia é tratada frequentemente com foco na remissão, ou seja, destruir as células doentes para a doença regredir. Nessa fase é utilizada a quimioterapia. O tratamento envolve medicações intravenosas e de ingestão oral. Como se trata de uma doença que afeta a qualidade do sangue, transfusões também são incluídas no esquema terapêutico. Ainda assim, alguns pacientes não respondem bem ao tratamento e a doença não dá trégua. Nesses casos, é indicado o transplante de medula óssea. O Brasil conta com mais de 5,5 milhões de pessoas cadastradas no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), que é o terceiro maior banco de doadores do mundo.Assim como para outras doenças, é necessário manter hábitos saudáveis para prevenir a leucemia. Manter rotina de exercícios, evitar alimentos ultraprocessados (com muitos aditivos químicos) e ficar longe de vícios evita uma série de complicações na saúde. Para saber como manter sua qualidade de vida, leia outros artigos que preparamos sobre saúde e bem-estar. Boa leitura!