

A morte de Pelé comoveu o Brasil e o mundo. Ídolo, o Rei do Futebol será imortal em seu legado, o que nos fazia querer acreditar que seu corpo, que sempre foi insuperável em campo, também pudesse se eternizar. No entanto, Edson Arantes do Nascimento foi acometido por um câncer no intestino, doença que cresce anualmente entre toda a população, inclusive os reles mortais. Após pouco mais de um ano do diagnóstico de câncer de cólon, o Rei Pelé faleceu, no dia 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de cólon e reto corresponde a cerca de 10% de todos os casos da doença no país. Estima-se que mais de 40 mil pessoas tenham sido diagnosticadas com a doença somente em 2022. Entre os homens, esse tipo de tumor fica atrás apenas do câncer de próstata. Já entre as mulheres, é desbancado somente pelo câncer de mama feminino. A faixa etária acima dos 50 anos é a mais afetada pela doença.
Outro ídolo do futebol morreu em decorrência do câncer de cólon. O craque Roberto Dinamite, 68 anos, ídolo do Vasco da Gama, time do Rio de Janeiro, faleceu no dia 08 de janeiro de 2023, apenas duas semanas após a morte do Rei Pelé. O ex-jogador estava internado com câncer no intestino e, também, tratava da doença há cerca de um ano.
Mas, se engana quem pensa que o câncer de cólon é uma exclusividade dos mais velhos. Cada vez mais jovens têm apresentado diagnóstico da doença. Menos de 15 dias após a morte de Pelé, a cantora Preta Gil divulgou que também tem câncer de cólon. Aos 48 anos, a famosa estava internada há uma semana em função de desconfortos abdominais que sentia. O diagnóstico veio a tempo de iniciar o tratamento com quimioterapia. O jornal O Estado De São Paulo fez uma apuração sobre as causas da doença em pessoas antes dos 50 anos. Segundo especialistas entrevistados, a obesidade e o consumo de alimentos ultraprocessados (ricos em gorduras), associada ao estilo de vida sedentário estão entre as principais causas do problema.
O câncer de cólon, ou colorretal, é um tumor que acomete a área do intestino grosso. As lesões podem ocorrer, portanto, no final do intestino (imediatamente antes do ânus) e no ânus. A doença é tratável e, na maior parte dos casos, curável se detectada em estágio inicial, antes de se alastrar para outros órgãos. No entanto, como muitos tipos de câncer, o câncer de cólon geralmente é silencioso, e só manifesta sintomas em graus mais avançados.
No caso de Pelé, foi em um exame de rotina que ele descobriu o tumor no intestino, em setembro de 2021. Na época, o Rei do Futebol passou por cirurgia para retirada do tumor e prosseguiu o tratamento com quimioterapia. No entanto, em poucos meses Pelé teve o diagnóstico de metástase com tumores em outras regiões do intestino, fígado e pulmões. Foi esse quadro, associado a complicações da Covid-19, que levou Pelé de volta ao hospital para novas sessões de quimioterapia, para evitar o comprometimento de outros órgãos.
No entanto, o organismo do Rei, aos 82 anos, já não respondia ao tratamento, o que levou a equipe médica a optar pelos cuidados paliativos (manutenção da qualidade de vida do paciente diante de quadro incurável). A causa oficial da morte de Pelé foi a falência múltipla de órgãos, condição comum devido à idade avançada e ao quadro clínico geral que o ex-jogador apresentava.
Segundo o Ministério da Saúde, os principais sintomas da doença incluem:
• mudanças no hábito intestinal (diarréia ou prisão de ventre);
• sangue nas fezes;
• vontade frequente de ir ao banheiro, com sensação de evacuação incompleta;
• dor ou desconforto abdominal, como gases ou cólicas;
• perda de peso sem razão aparente;
• cansaço, fraqueza e anemia.
O câncer é uma doença que tem forte influência da herança genética. Por isso, quem tem casos de familiares próximos com algum tipo de tumor, precisa redobrar os cuidados. No entanto, isso não significa uma sentença de que a pessoa irá desenvolver a doença. Todos os tipos de câncer estão também relacionados com o ambiente e o estilo de vida.
Uma das principais causas do câncer de cólon é a má alimentação. O consumo excessivo de carne vermelha (sobretudo processada, como bacon, salsicha, embutidos) é um dos vilões para o desenvolvimento da doença. Importante: o excesso de consumo está relacionado à ingestão mais de cinco vezes na semana. A ausência de frutas e verduras nas refeições também é preocupante. Além de serem alimentos ricos em fibra, tem antioxidantes que são essenciais no combate ao câncer. A indicação é comer cinco porções desses alimentos no dia.
Outro ponto que requer atenção na prevenção do câncer de cólon é a circunferência abdominal. A obesidade concentrada no abdômen gera alterações hormonais e respostas inflamatórias que aumentam o risco de câncer. Sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool também são fatores de risco não só para o câncer de cólon, mas também para diversos outros tipos de neoplasias malignas.
O diagnóstico de câncer de cólon é feito através do exame de colonoscopia. Em muitos casos, as lesões são removidas durante o exame para realização de biópsia. Caso o resultado seja positivo para malignidade, é indicado tratamento com quimioterapia e/ou radioterapia, e cirurgia em alguns casos para remoção de mais focos.
O exame de colonoscopia geralmente é indicado para remoção de pólipo colorretal. Segundo o Ministério da Saúde, trata-se de “uma lesão benigna que surge no intestino. Ele ocorre devido ao crescimento anormal de tecido na mucosa da região, mas podem se tornar câncer. Por isso, o acompanhamento e a retirada dos pólipos são formas de evitar o surgimento da doença”.
Prevenção é a palavra-chave para qualquer doença, sobretudo para o câncer. Manter uma rotina de exames anuais, além de hábitos saudáveis, auxilia na prevenção e no controle de doenças para não se tornarem casos graves. Para você se manter saudável, preparamos uma seleção de artigos que podem ajudar na manutenção da sua qualidade de vida.
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