

Desde 1988, a data de 1º de dezembro é reservada para o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Por isso, no Brasil, o Ministério da Saúde instituiu a campanha Dezembro Vermelho, que propõe um mês dedicado às ações de conscientização e prevenção ao HIV/AIDS no país, criada em 2017. Agora, três décadas depois da primeira mobilização mundial sobre o assunto, não há muito o que se comemorar. Ainda assim, o acesso à informação é a principal forma de combate ao HIV/AIDS.
Você sabia que o Brasil já foi já foi referência mundial no combate à doença, reconhecido inclusive pela Organização Mundial da Saúde (OMS)? No auge dos anos 1990 e 2000, havia amplo fornecimento de terapia antirretroviral, parcerias com ONGs, pacientes e sociedade no combate ao estigma com foco na informação e prevenção. Além disso, casos famosos como o do cantor Cazuza e Renato Russo, que morreram em decorrência das complicações da AIDS, foram essenciais para conscientizar a população sobre a epidemia da doença.
No entanto, mesmo com a evolução dos tratamentos e a ampliação do acesso à informação, a desigualdade social tem impactado o combate ao HIV/AIDS, principalmente entre os jovens negros, entre 15 e 39 anos, que são maioria entre os novos casos de AIDS no país. Esse cenário impacta diretamente na meta mundial de erradicação da AIDS até 2030, proposta pelo Programa das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS).
Mas, antes de entender detalhadamente o cenário da Aids no Brasil – e no mundo- que tal relembrar a diferença entre a doença e o vírus HIV?
O HIV é a sigla em inglês para o vírus que transmite a síndrome da imunodeficiência humana. Ele é o causador da AIDS (sigla que vem do inglês e quer dizer Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). O vírus tem esse nome porque ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças.
Manter relações sexuais desprotegidas (sem camisinha) com pessoa soropositiva (que já tem o vírus) é a principal forma de contágio. Outras formas comuns são o compartilhamento de objetos perfuro cortantes contaminados (agulhas, alicates etc.) ou, quando a mãe soropositiva, sem tratamento, passa para o filho durante a gestação, parto ou amamentação.
AIDS é a Síndrome da Imunodeficiência Humana, transmitida pelo vírus HIV. A doença enfraquece as defesas do corpo e pode causar o aparecimento de doenças oportunistas, como hepatites virais, tuberculose e pneumonia, por exemplo.
A resposta é não. Segundo o Ministério da Saúde, “há muitas pessoas positivas para o vírus HIV que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas, elas podem transmitir o vírus”.
Uma das principais causas de o HIV e a Aids passarem despercebidos é que os primeiros sinais da infecção pelo vírus são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Isso acontece entre seis e oito semanas após a infecção. Essa confusão sobre os sintomas faz com que cerca de 6 milhões de pessoas no mundo não saibam que são portadoras do HIV. Por isso, caso tenha mantido contato suspeito, procure um posto de saúde para fazer o teste.
Em farmácias ou no seu plano de saúde, você pode realizar o teste para HIV/AIDS. Se o resultado for positivo, o paciente é encaminhado para iniciar o tratamento, tanto no SUS como na saúde suplementar (planos de saúde). Na saúde pública, os testes podem ser feitos em Unidades Básicas de Saúde (UBS).
O profissional de saúde coleta uma gota de sangue ou fluido oral (das bochechas ou gengiva). Esse tipo de procedimento é conhecido como teste rápido. O material é submetido ao reagente que apresenta o resultado positivo ou negativo. Nesse período da campanha Dezembro Vermelho, muitas entidades oferecem o teste em ações sociais. Fique atento.
Além de evitar os meios de transmissão citados acima, ainda é possível fazer uso de medicamentos antes ou após a exposição ao vírus (ou em caso de suspeita). Trata-se dos protocolos de uso e monitoramento do remédio dolutegravir (DTG), que é a profilaxia pré-exposição (PrEP), geralmente usada para profissionais do sexo, homens que fazem sexo com outros homens e gays antes de manterem contato íntimo. Também existe uma profilaxia pós-exposição (PEP), que deve ser usada no máximo 72 horas após a exposição ao vírus. Essa medida é frequentemente usada em casos de estupro, por exemplo.
Com certeza. Você já deve ter ouvido falar no ‘coquetel da antiAIDS’. Ele tem esse nome porque o tratamento é feito à base de vários medicamentos antirretrovirais, que diminuem a reprodução do vírus e, consequentemente, melhoram a imunidade. Assim, o paciente fica mais resistente às infecções oportunistas que mencionamos anteriormente.
Em muitos casos, o sucesso do tratamento é tão grande que o vírus se torna indetectável. Ou seja, os medicamentos abateram o vírus de tal forma que ele sequer aparece em exames, e muito dificilmente poderá contaminar outras pessoas em contatos íntimos ou em caso de exposição a agulhas, por exemplo. Mas, é importante que a pessoa não desista nunca de fazer o tratamento, senão, o vírus volta a se fortalecer no organismo podendo levar o paciente a desenvolver a AIDS e outras doenças. A campanha Dezembro Vermelho também tem o papel de conscientizar sobre a manutenção do tratamento. Compartilhe esse post e ajude a informação chegar a quem precisa.
Mesmo com a queda global no número de casos, os números de HIV/AIDS no Brasil ainda são preocupantes. Dados do Programa das Nações Unidas para o HIV/AIDS (UNAIDS) mostram como a desigualdade social afeta o combate ao vírus e à doença. Para se ter uma ideia, entre 2010 e 2020, houve uma queda no número de casos de AIDS entre pessoas brancas. Já entre os negros, houve aumento de 12,9%. Os casos de mortes pela doença mantêm essa desigualdade. No mesmo período, as mortes de pessoas brancas por Aids caíram 10,6%, enquanto a de pessoas negras apresentou aumento de 10,4%.
Isso demonstra o quanto ainda há estigmas em relação à AIDS. É sabido que as pessoas chave, mais vulneráveis à infecção são travestis e pessoas trans, gays e homens que fazem sexo com outros homens, profissionais do sexo, pessoas em privação de liberdade e pessoas que fazem uso de drogas injetáveis. Agora imagine uma pessoa negra, homossexual e em situação de rua, por exemplo. Essa realidade distancia a pessoa do acesso ao tratamento e de qualidade de vida.