

Justamente por ser um assunto ainda pouco falado, é importante ter cada vez mais abordagens sobre a condição da pessoa com estomia. Afinal, são pacientes que merecem retornar para o convívio familiar e social, com qualidade de vida.
Para quem ainda não conhece, a cirurgia de estomia é realizada para auxiliar pacientes com câncer, doenças inflamatórias intestinais, doença de Chagas ou pessoas que sofreram acidentes. É fato que, sem ela, quadros de muitos pacientes não teriam solução. Por isso, está mais do que na hora de deixar o preconceito de lado.
No Círculo Saúde, os pacientes têm à disposição o Ambulatório de Estomizados, espaço especial que oferece cuidados e orientações a pessoas com estomia. Confira a seguir como funciona mais esse investimento no bem-estar de quem está conosco!
A ostomia ou estomia é um procedimento cirúrgico que consiste na retirada de uma porção do tubo digestivo, neste caso do intestino, e na abertura de um orifício externo, que se designa por estoma, cujo objetivo é o desvio do trânsito intestinal para o exterior, utilizado para o tratamento de algumas doenças do intestino, inclusive o câncer.
A urostomia é a exteriorização dos condutos urinários na parede abdominal que permite a eliminação da urina constante por gotejamento, sendo necessário o uso de uma bolsa coletora com válvula antirrefluxo e torneira de drenagem na parte inferior, auxiliando no esvaziamento da urina no decorrer do dia.
A estomia pode ser necessária de forma temporária ou definitiva. Em casos de câncer, como os de reto baixo, geralmente é preciso realizar a estomia definitiva. Isso quer dizer que o paciente passará a conviver com a estomia para o resto da vida, já que muitas vezes amputa-se o reto para solucionar o problema, o que impede a reconstrução do fluxo intestinal.

Nos casos de traumas gerais, a estomia costuma ser temporária, ou seja, a pessoa fica com a estomia por um período necessário até que o segmento no qual foi realizada a anastomose (união de duas partes do intestino) ou sutura esteja cicatrizado, pronto para retomar suas funções corporais sem riscos. Assim, é feita a reconstrução do trânsito intestinal.
O paciente com estomia normalmente enfrenta uma “avalanche” de pensamentos e emoções relacionadas ao seu tratamento e reabilitação, além da adaptação ao novo estilo de vida. Por isso, deve receber assistência de forma integral, considerando aspectos psicossociais, fisiopatológicos, nutricionais, psicológicos, sociais e espirituais.
Nesse sentido, as características individuais devem ser avaliadas a partir do seu contexto familiar, comunitário, social, econômico, etc. É muito importante que a família esteja envolvida no cuidado à pessoa com estomia, assim como os profissionais de saúde que devem facilitar sua recuperação e inclusão.
Dessa forma, o acompanhamento dos pacientes portadores de estomias é fundamental, já que precisam lidar com as transformações corporais, resultantes do tratamento, e as alterações psicológicas, como distúrbios relacionados à imagem do corpo e a diminuição da autoestima, que podem também afetar a dinâmica familiar.
A bolsa coletora é um equipamento essencial para que a pessoa com qualquer tipo de estomia de eliminação possa retornar à vida social, à rotina de trabalho e levar uma vida sexual ativa. A razão é que esse paciente não tem controle em relação a saída das fezes ou da urina, por isso o uso correto da bolsa é imprescindível para que o processo de reabilitação seja seguro e o mais confortável possível.
Como há diversos tipos de estomia, existem também vários tipos de bolsas coletoras criadas para uma melhor adaptação do paciente. Vale destacar que o tipo de bolsa ideal para cada pessoa será prescrito pelo médico especialista. No Círculo, são diferentes modelos à disposição.
Confira os principais tipos de bolsas de estomia disponíveis no mercado:

No Ambulatório de Estomizados do Centro de Oncologia do Círculo Saúde, o atendimento ao paciente portador de estomia acontece desde a indicação da construção da estomia, na internação hospitalar, e continua após a alta hospitalar, por meio do acompanhamento ambulatorial.
Ainda durante a internação hospitalar, a equipe de enfermagem garante o ensino em relação ao manuseio da estomia e de materiais coletores a serem utilizados, sempre com foco no autocuidado do paciente e no envolvimento dos familiares.
Atualmente, 44 pacientes estão em acompanhamento no Ambulatório de Estomizados do Centro de Oncologia, demonstrando alto nível de satisfação com o atendimento recebido e baixa ocorrência de lesões de pele ou outras complicações.
No espaço, o paciente estomizado é orientado com o uso de simuladores, proporcionando o desenvolvimento de habilidades de manejo dos diferentes materiais e esclarecimento de dúvidas, preparando o mesmo para a alta hospitalar.
No ambulatório, os pacientes também aprendem sobre a prevenção e o tratamento de complicações nas estomias, o fornecimento de equipamentos coletores e adjuvantes de proteção e segurança, além de receberem orientações nutricionais e acompanhamento psicológico. A participação em grupos de apoio a pacientes estomizados também é estimulada.
Além do grupo presencial, que realiza encontros mensais, há o grupo virtual em aplicativos de mensagens, onde os participantes compartilham suas experiências por meio de textos e vídeos, e os profissionais do Círculo oferecem materiais sobre o assunto.
No mês de setembro de 2022, a novidade do Círculo foi a implementação da Linha de Cuidados do Paciente Estomizado, cujo objetivo é identificar o paciente ainda no bloco cirúrgico. Após, é feito o acompanhamento, a orientação ao paciente e aos familiares, a avaliação do modelo de bolsa, a solicitação de autorização para auditoria e para a dispensação do material mensal, com todos os procedimentos sendo realizados antes da alta hospitalar.
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Este conteúdo contou com a contribuição da enfermeira Ketlin Caroline Teles de Souza, que atua no Centro de Oncologia do Círculo Saúde.